Na pele.

“Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

Nelson Mandela

(Da autobiografia “O longo caminho para a liberdade”, 1994).

#napele

Com o intuito de lutar pelos direitos dos povos nasceu #napele, um projeto ativista que tem o objetivo de mostrar projetos e relatos semelhantes na luta contra o preconceito e a discriminação.

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Relatos

"Posso dizer que ao longo dos meus 49 anos de todas as situações a que mais sofri foi uma piada sobre formação de quadrilha.
Meu marido e seus colegas de trabalho (todos brancos) ganharam uma viagem com direito a acompanhante.
Durante a viagem vi e ouvi alguns olhares e sorrisos de desdém. Então veio a conversa sobre o fato de termos tido trigêmeos.
Uns consideravam uma benção, outros comentavam que tinham sonho de ter gêmeos e seguimos a viagem.
Na parada para o café preferi ficar no ônibus (chovia bastante) e pedi que meu marido levasse um salgado e um refri.
Fiquei sozinha no ônibus com aquele grupinho de colegas que nos olhavam com reprovação.
Foi aí que um deles perguntou:
- Vocês sabem qual é o cumulo da formação de quadrilha?
Várias respostas e muitos risos.
E ele fala: - É uma bugia ter trigêmeos!(risos).
Gelei não sabia o que fazer: reagir ou ficar calada.
Lembro que fiquei quieta toda a viagem, mau humorada descontando no meu marido, que nem imaginava o que tinha acontecido. Depois de muito tempo consegui contar.
Esse colega foi transferido para nossa cidade, como gerente do meu marido.
Meu marido nunca teve uma relação boa com ele, que sempre que podia que contava uma piada com negros/ pretos. Acabou saindo desta empresa."

(Desconhecido)

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"O racismo está sempre presente, atualmente bem menos do que nos anos 90, mas se vê bem vivo nos dias de hoje ainda, como nas piadinhas que se escuta de muita gente, que as vezes pode parecer inocente, mas lá no fundo machuca, ou quando tu tá se vestindo e percebe que está de calça larga, moletom e touca e possivelmente vai ser parado pela polícia se andar à noite, ou vai ser seguido pelo segurança ao entrar em uma loja.
Já fui parado seis vezes em um semestre, na sexta vez questionei o policial o porquê, e ele me disse que tinha suspeitos com meu perfil (negro, barbudo, usando roupas largas e touca).”

(Desconhecido)

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"Falar de racismo na universidade é abrir um leque com várias situações sutis de constrangimentos, desde olhares tortos, perguntas desnecessárias, até situações explícitas. Quando vim para universidade não tinha noção da proporção que o racismo tinha, comecei a participar do Afronta, coletivo de negros e negras da universidade onde tomei consciência das coisas."

(Desconhecido)

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"Teve uma vez que me senti muito incomodado, foi em uma loja, ao entrar, para dar uma olhada nos preços e nas roupas. Era uma loja de espaço físico bem grande, no começo não fui atendido por nenhum funcionário, mas notei que o segurança me acompanhava, de longe, mas ficou muito claro, que era eu, quem ele observava o tempo todo, aquilo me gerou um mal estar, que acabei saindo da loja."

(Desconhecido)

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"Racismo sempre fez parte da minha vida.
A maioria dos episódios sempre foram velados e envolviam momentos em que as pessoas perguntam como eu lavava o meu cabelo, se ele era duro. Ainda a rejeição em relacionamentos amorosos e recentemente perseguição dentro de um supermercado."

(Desconhecido)

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"Uma vez uma segurança me seguiu no mercado, eu tinha uns 15 anos e fui comprar uma trakinas, quando eu peguei a bolacha, ela me abordou e me questionou se eu ia pagar por aquilo, e se sim porque não peguei uma cesta ou carrinho, achei um absurdo e respondi para ela, depois disso ela elevou a voz, me chamando de negro sujeira e ladrão, bem alto no meio do mercado, essa me marcou bastante."

(Desconhecido)

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Inspiração

O projeto fotográfico foi realizado pela estudante de Antropologia Lorena Monique, na Universidade de Brasília (UnB), e se chama "AH, BRANCO, DÁ UM TEMPO!".

Este ensaio fotográfico foi inspirado na Foto Campanha articulada por estudantes negros e negras da Universidade de Harvard dos EUA (http://itooamharvard.tumblr.com/).
A maioria das fotos foram registradas com pessoas aleatórias encontradas em locais como o Restaurante Universitário, ICC e outros locais movimentados da UnB.

2 minutos para entender

A cada 12 minutos um negro é assassinado no Brasil. Não para por aí: a cor da sua pele influencia na sua educação, saúde e renda.

Fonte: (Revista Superinteressante)